Quanto custa uma agência de marketing digital?

Ninguém responde essa pergunta direito porque a resposta não é um número — é uma conta. Veja como calcular quanto a sua empresa pode investir por mês.
Por Matheus Lombardi·Fundador da Ora. Strategy

Não existe preço de tabela para agência de marketing digital, e quem publica um está vendendo pacote, não estratégia. O que existe é uma conta: o que você pode investir por mês é o resultado do seu ticket médio, da sua margem e de quantos clientes novos você precisa — não do que o mercado cobra.

Este texto não vai te dar um número. Vai te dar a conta, na ordem em que ela precisa ser feita, para você chegar na primeira reunião sabendo se a proposta faz sentido antes de ouvir o valor.

Por que ninguém responde essa pergunta

Faça a busca e você vai encontrar dezenas de páginas que abrem com “depende” e terminam vendendo uma reunião. Existe um motivo real por trás disso, e ele não é má-fé.

Duas empresas do mesmo tamanho, no mesmo setor, com o mesmo faturamento, precisam de operações completamente diferentes. Uma tem CRM, base de contatos limpa e um vendedor que responde em dez minutos. A outra tem um formulário que cai numa caixa de e-mail que ninguém abre. A primeira precisa de mídia. A segunda precisa de processo — e colocar mídia antes de arrumar o processo é queimar dinheiro mais rápido.

O erro do mercado não é dizer “depende”. É parar aí. Depende de quê, exatamente — e como eu calculo? É isso que vem agora.

A conta, em quatro passos

Passo 1: quanto vale um cliente novo para você

Pegue o valor médio da sua venda e multiplique pelo número de vezes que um cliente compra antes de ir embora. Isso é o LTV — o quanto um cliente vale ao longo do relacionamento inteiro, não numa transação.

Uma clínica com consulta de R$ 400 e paciente que retorna quatro vezes por ano durante dois anos tem LTV de R$ 3.200. Uma indústria com contrato de R$ 8.000 por mês e retenção de três anos tem LTV de R$ 288.000. São negócios que não podem investir a mesma coisa em marketing — e é por isso que perguntar “quanto custa uma agência” sem essa conta na mão não leva a lugar nenhum.

Passo 2: quanto você pode pagar para conquistar esse cliente

A régua que eu uso na operação é investir na aquisição algo entre um quinto e um terço do LTV. Abaixo disso você provavelmente está deixando crescimento na mesa; acima, o negócio fica sem margem para operar.

Na clínica do exemplo: LTV de R$ 3.200, CAC-alvo entre R$ 640 e R$ 1.070 por paciente novo.

Essa faixa é a minha régua de operação, não um índice oficial de mercado. Trate como ponto de partida e ajuste pela sua margem real: se o custo de entrega já consome 70% da sua receita, a conta é outra.

Passo 3: quantos clientes novos você precisa por mês

Aqui a maioria erra, e erra na direção otimista. Não pergunte quantos você quer. Pergunte quantos a sua operação consegue atender sem cair a qualidade.

Se a clínica tem agenda para dez pacientes novos por mês e você monta uma campanha para trazer trinta, você não cresceu três vezes: você criou fila, atraso no atendimento e avaliação ruim no Google. Marketing que gera demanda além da capacidade de entrega destrói valor.

Dez pacientes novos por mês × CAC-alvo de R$ 850 = R$ 8.500 por mês de investimento total em aquisição.

Passo 4: separe mídia de operação

Esse é o passo que quase nenhum artigo sobre preço explica, e é o que muda a leitura de qualquer proposta que você receber. Aqueles R$ 8.500 não vão todos para a agência. Eles se dividem em duas coisas.

Verba de mídia é o dinheiro que vai literalmente para o Google e para a Meta. Não passa pela agência, ou passa só como repasse. Fee de operação é o time que planeja, produz, mede e corrige — e é isso que a agência cobra. Se você quer entender melhor como a verba de mídia se comporta, vale ler também sobre o que faz uma agência de tráfego pago.

Na prática, operações pequenas costumam ficar perto de metade e metade; conforme a verba de mídia cresce, o fee vira uma fatia proporcionalmente menor, porque o esforço de gerir R$ 50 mil não é cinco vezes o de gerir R$ 10 mil.

Quando você receber uma proposta, a primeira pergunta é: esse valor inclui mídia? Duas propostas com o mesmo número podem significar coisas completamente diferentes.

Os três modelos de cobrança, e o que cada um esconde

Fee fixo mensal. Você paga um valor previsível pela operação. Vantagem: previsibilidade dos dois lados, e a agência não tem incentivo para inflar sua verba. Risco: se o escopo não estiver escrito com clareza, vira discussão todo mês sobre o que está ou não incluído.

Percentual sobre a mídia. A agência cobra uma fatia do que você investe em anúncio. Vantagem: escala junto com você. Risco estrutural: o fornecedor ganha mais quanto mais você gasta. Se ele te recomendar aumentar a verba, você nunca vai saber com certeza se é estratégia ou receita dele. É um conflito de interesse embutido no contrato.

Performance ou comissão por resultado. Você paga por lead ou por venda. Parece o modelo ideal e é o mais mal-entendido dos três. Ele só funciona quando a atribuição é confiável e quando as duas partes controlam a mesma etapa: se o lead chega bom e o seu time demora dois dias para ligar, quem paga a conta da venda perdida? Sem CRM e sem regra de SLA escrita, esse modelo termina em briga.

Não existe modelo certo. Existe o modelo que combina com a sua maturidade de dados. Sem rastreamento confiável, performance é loteria; com rastreamento bom, fee fixo pode estar deixando dinheiro na mesa.

O que faz o preço subir de verdade

Número de canais. Uma operação só de Google Ads custa uma fração de uma operação com Google, Meta, SEO, e-mail e CRM integrados. Cada canal é uma disciplina e uma rotina de otimização.

Produção de conteúdo. Gestão de campanha é uma coisa. Produzir peça, vídeo, artigo e landing page é outra, e é geralmente a linha mais pesada de qualquer orçamento.

Estado do seu rastreamento. Se o pixel está errado, o CRM não conversa com a mídia e ninguém sabe de onde veio a última venda, o primeiro mês não é campanha — é arrumação. Isso tem custo, e agência séria cobra por ele em vez de fingir que dá para pular.

Ciclo de venda. B2B com três meses de ciclo e cinco decisores exige nutrição, conteúdo técnico e CRM. B2C de decisão rápida não precisa disso. Operações B2B custam mais porque duram mais antes de mostrar resultado. Em B2B a conta muda, porque a compra é coletiva — está detalhado na página de marketing digital B2B.

Quando a resposta certa é “não contrate agência agora”

Vale mais dizer isso do que vender.

Se você não sabe de onde veio o seu último cliente, o problema não é mídia — é medição, e isso se resolve em semanas com muito menos dinheiro. Se o seu lead espera mais de um dia por resposta, aumentar o volume de leads só aumenta o volume de gente irritada. E se o seu produto ainda não tem cliente recorrente, marketing vai acelerar a descoberta de que ele precisa mudar — o que é útil, mas não é o que você está comprando.

Nos três casos, o dinheiro rende mais em outro lugar primeiro. Uma agência que não te fala isso na primeira conversa está vendendo, não diagnosticando. Já escrevi sobre isso em por que trocar de agência raramente resolve.

E quanto custa a Ora.?

Não tem tabela nesta página, e isso é coerente com tudo que está acima: se o preço saísse de uma tabela, os quatro passos que você acabou de fazer não serviriam para nada. Mas parar em “depende” é preguiça. Então, com precisão, é assim que o nosso número se forma.

Cobramos fee de operação, não percentual de mídia. A verba de anúncio é sua e vai direto para as plataformas. A gente não ganha nada sobre ela — o que elimina de vez o incentivo de te recomendar gastar mais.

O fee varia por duas coisas, e só por duas. Quantos canais entram no ecossistema, e quanto da produção de conteúdo é nossa. Não varia pelo tamanho da sua empresa nem pelo seu faturamento.

O diagnóstico vem antes da proposta, sempre. Se o seu gargalo for medição ou processo comercial em vez de mídia, a gente diz — e o projeto que sai é menor e mais barato do que você esperava. Já aconteceu mais de uma vez.

Trabalhamos com poucos clientes ao mesmo tempo. É o que sustenta a profundidade, e é também o que limita quantos projetos conseguimos assumir por trimestre.

O número aparece na proposta, depois do diagnóstico, com as quatro contas deste artigo preenchidas com os seus dados — não com a média do mercado.

Chegue na reunião com a conta feita

Se você fez os quatro passos, já tem mais clareza que a maioria das empresas que chega numa reunião comercial. Traz esse número para o diagnóstico e a conversa começa no lugar certo.

A Ora. fica na Vila Romana, em São Paulo. Se a sua empresa é da capital ou da região metropolitana, o diagnóstico pode ser presencial — veja como funciona a consultoria de marketing digital em São Paulo. Fora de SP, tudo por videochamada, com o mesmo roteiro.

O diagnóstico da Ora. dura 60 minutos, é gratuito e o roteiro está publicado — você sabe exatamente o que vai ser perguntado antes de entrar. Veja o roteiro do diagnóstico.

Leu até aqui. Agora vamos olhar as suas contas.

O roteiro acima aplicado ao seu caso, em 60 minutos, sem custo e com a proposta na mesma reunião.